Eclipse. Mais de mil no Cabo da Roca para verem "a lua comer o sol"
Mariana Lima, dois fil
hos e os pais, viajaram hoje de Lisboa para Sintra para ver o eclipse e juntaram-se a mais mil pessoas para, no Cabo da Roca, verem “a lua comer o sol”. E depois bateram-se palmas.
No dia do eclipse solar, a empresa Parques de Sintra abriu o espaço do farol do Cabo da Roca, com entrada paga e óculos incluídos, e 1.100 pessoas compareceram junto daquele que é o ponto mais ocidental da Europa continental tendo o mar como horizonte.
Esse foi de resto um dos atrativos para Francisco Vargas, um venezuelano que vive há 17 anos em Portugal e que, em declarações, apontou a facilidade em ver o eclipse, na ausência de prédios ou de árvores.
Mariana, Francisco, mas também Madalena, Sónia e Adriana, as três de Sintra, chegadas de autocarro para evitar o estacionamento, mal sabendo ainda que para sair do farol, de carro ou autocarro, haveriam de ser precisas quase duas horas.
Quando falaram, ainda antes do início do eclipse, que já sabiam que ia ser “algo rápido”, afirmavam-se entusiasmadas. “Espero que seja giro, é algo que não acontece todos os dias”.
Madalena lamentava apenas que não fique tudo escuro. Chegou quase na hora em que começou o eclipse, depois das 18:00 (início pelas 18:39), como muitas outras pessoas, a maior parte sentada pelo empedrado, outras tantas do lado de fora do recinto pago, algumas até com chapéus e cadeiras de praia, ainda que em dia de sol pouco quente e muito vento.
Mariana Lima já estava por essa altura instalada. Dois banquinhos de madeira para os pais, um termo com água, roupas para o frio, sumos e bolos. “Decidimos vir, não tínhamos óculos em lado nenhum e aqui dava para fazer as duas coisas, ter óculos e aproveitar a experiência”. Já tinha visto em 1999, mas este eclipse era especial, porque o sol ia ficar “mais tapado”.
Zé, o filho, dizia que ia “ficar tudo escuro”, e Maria, a filha, que é coisa que só acontece uma vez na vida e que é de aproveitar.
Com muitas famílias no terreiro, foram as crianças as mais ansiosas. E se uma delas perguntava se os cães iriam ladrar quando chegasse “a luz”, outra explicava ao pai o eclipse: “Eu sei onde é que está a lua, a lua vem de cima e come o sol”.
E quando começou a “comer”, às 18:39, já todos tinham experimentado os óculos especiais para ver o eclipse, uns logo na entrada do recinto, outros a esforçarem-se para fazer “selfies” com os óculos postos, outros a testarem-nos com os telemóveis, uns a falar francês, outros espanhol, um grupo a falar ucraniano.
Houve quem levasse mantas, quem levasse champanhe, quem levasse um telescópio. E quem dissesse “é uma emoção”, quem dissesse apenas “brutal”, ou quem apenas olhasse, a luz do sol a ficar cada vez mais amarela.
“Está mesmo incrível”. E às 19:36, no máximo do eclipse, a luz do sol ainda assim sempre presente, bateram-se palmas. A maior parte das pessoas começou a abandonar o local nesse momento. A um canto, os copos de champanhe vazios e arrumados, ao meio do espaço Francisco Vargas e a mulher continuavam sentados, óculos postos, os filhos e um amigo por ali.
“Uma experiência incrível para viver em família, uma confirmação de como a Terra e o universo funciona”, disse entusiasmado, falando também do que é feito para se saber quando o eclipse ocorre e a que horas, ou da descida da temperatura.
E foi o que esperava? “Foi. Não é total, mas é impressionante”, responde o professor de física, que diz que há muita informação sobre o uso dos óculos mas que não se importa de estar muito tempo com eles porque quer desfrutar.
Afinal não é todos os dias que a lua vem de cima e come o sol.


