Manifestação “Basta de Betão” protestou hoje contra destruição das zonas verdes em Cascais
Este sábado as ruas de Cascais foram palco de uma manifestação contra a política de construção urbana intensiva que tem transformado a paisagem do concelho. Organizada pela Organização Não Governamental de Ambiente (ONGA) e pela Associação Ambiental SOS Quinta dos Ingleses, o protesto, intitulado “Basta de Betão”, visou sensibilizar a população e as autoridades para os impactos da destruição das zonas verdes e do crescimento desordenado da urbanização, que ameaça tanto o meio ambiente quanto a qualidade de vida dos residentes.
A manifestação teve início às 15:30, na rotunda da Avenida Jorge V, junto à praia de Carcavelos, e seguiu pela Avenida Marginal, um dos pontos mais afetados pelos projetos de construção na área. O protesto teve como objetivo chamar a atenção para os impactos negativos de vários empreendimentos urbanísticos que estão a ser planeados para o concelho, em especial os que envolvem a construção de grandes unidades habitacionais e zonas de alojamento turístico em locais tradicionalmente verdes e de grande valor ecológico.
Um dos projetos mais polémicos é o mega empreendimento previsto para a Quinta dos Ingleses, uma área histórica de Cascais que, segundo os organizadores da manifestação, será profundamente afetada pela construção de mais de 2000 unidades habitacionais, incluindo condomínios de luxo e alojamento turístico. Este desenvolvimento está a ser criticado por ambientalistas, que alertam para a destruição de 52 hectares de solo livre e arborizado, considerados um dos últimos pulmões verdes da Linha de Cascais.
O projeto em Carcavelos Sul, que prevê a construção de unidades residenciais e comerciais de alto luxo, está no centro da preocupação da comunidade local. O desenvolvimento de mais de 2000 unidades de alojamento turístico e condomínios de luxo pode transformar a região, conhecida pela sua praia e pelas áreas verdes circundantes, em mais um ponto de saturação urbana, contribuindo para o aumento do tráfego e da poluição, e comprometendo o equilíbrio ecológico da zona.
A destruição de 52 hectares de área verde em Carcavelos Sul é um exemplo claro da pressão que a especulação imobiliária está a exercer sobre as zonas naturais do concelho. Ambientalistas e moradores argumentam que este tipo de desenvolvimento não só prejudica a biodiversidade local, mas também compromete a qualidade de vida dos cidadãos, que veem a escassez de espaços verdes como um grande desafio para o bem-estar urbano.

