Filme inédito de Amália Rodrigues gravado em 1987 vai ser exibido em Cascais
Quase 40 anos depois de ter subido ao palco do Teatro Experimental de Cascais, Amália Rodrigues regressa ao mesmo espaço através de um registo inédito em vídeo. Filmado discretamente durante o recital de 1987, o concerto foi agora restaurado e será exibido pela primeira vez em ecrã de grande dimensão, este Domingo, 20 de Setembro.
Quase quatro décadas depois, uma gravação em video8 recuperada e restaurada devolve ao palco do Teatro Municipal Mirita Casimiro (antigo Teatro Experimental de Cascais) uma noite histórica com Amália Rodrigues. O filme, registado discretamente durante o recital de 18 de setembro de 1987, poderá ser visto em ecrã de grande dimensão numa sessão de entrada livre, este Domingo, 20 de Setembro.
Naquela noite, Amália subiu ao palco do então Teatro Experimental de Cascais para um recital em homenagem ao ator José de Castro, figura ligada a Paço de Arcos e à cultura portuguesa, falecido em 1977. A procura foi tal que a lotação esgotou em apenas 48 horas e o teatro teve de adaptar o palco para conseguir receber mais espectadores. Quem ficou sem bilhete acabou por ouvir o concerto a partir da rua, com as portas abertas para que a voz de Amália chegasse ao exterior.
Sem que ninguém na sala desse por isso, dois admiradores da fadista registaram o espetáculo com uma pequena câmara de video8. O filme permaneceu guardado durante décadas até chegar, em 2017, às mãos de João Vasco, que desde os anos 60 trabalhava com Carlos Avilez para levar Amália ao TEC. O registo original foi posteriormente transferido para DVD e restaurado por Miguel Silva Ângelo, permitindo agora recuperar uma noite que, de outra forma, teria ficado apenas na memória de quem a viveu.
A relação entre Amália Rodrigues e o Teatro Experimental de Cascais começou muito antes deste recital. Carlos Avilez tentou, desde os anos 60, concretizar a presença da fadista no TEC, chegando a imaginar a sua participação numa peça de García Lorca ou Tennessee Williams. A agenda internacional de Amália, que desde a estreia no Olympia de Paris, em 1957, a levava aos principais palcos internacionais, acabou por adiar esse projeto.
A colaboração concretizou-se finalmente em 1970, quando Amália integrou o TEC na representação de “O Dia de Portugal”, apresentada em Osaka, no Japão. O espetáculo foi um enorme sucesso.
Anos mais tarde, Amália regressaria ao palco do atual Teatro Municipal Mirita Casimiro numa homenagem a Carlos Paredes, um dos fundadores do TEC. À chegada da fadista, Paredes terá proferido uma frase que ficou associada ao momento: «Não sabia que tinha tantos amigos.»
Hoje, os dois nomes permanecem ligados à história do espaço, assinalados em placas de memória à entrada do Teatro Municipal Mirita Casimiro.
“Amália ao Vivo no Teatro Municipal Mirita Casimiro, em 1987” será apresentado este Domingo, 20 de Setembro, às 17h00, no Auditório Carlos Avilez, no antigo edifício do Cruzeiro, no Monte Estoril. A sessão tem duração aproximada de 1h50 e a entrada é livre, sujeita à lotação da sala.
A iniciativa é organizada pela Câmara Municipal de Cascais e pelo Espaço Memória, Teatro Experimental de Cascais.


