Presidenciais 2026: corrida eleitoral fecha-se com disputa a três
A poucos dias das eleições presidenciais, a disputa por Belém estreita-se entre três candidatos, com António José Seguro à frente, mas sem garantir vitória à primeira volta. Segundo o Pulso Eleitoral, Seguro apresenta 51,3% de probabilidade de vitória, enquanto André Ventura soma 38,7% e João Cotrim de Figueiredo 8,6%.
De acordo com os dados disponibilizados pelo Pulso Eleitoral, o destaque desta reta final é o crescimento de André Ventura. A última sondagem da Cesop indica que o líder do Chega reúne 24% das intenções de voto. Ventura consolidou o seu eleitorado e atraiu novos apoiantes, aproveitando a fragmentação do campo político, e posiciona-se como alternativa tanto à esquerda como ao centro-direita tradicional.
A corrida estava inicialmente mais dispersa, com cinco candidatos principais, mas Henrique Gouveia e Melo, que liderava várias sondagens, vê agora as suas hipóteses reduzirem-se drasticamente (0,6% de probabilidade de vitória), tal como Luís Marques Mendes (0,8%).
António José Seguro beneficia da consolidação do apoio dentro do Partido Socialista, com os apoios recentes de Carlos César e Inês Sousa Real. A situação representa uma tentativa de unificar o partido, superando divisões internas, e causou desalento no campo de Gouveia e Melo, que esperava capitalizar essas tensões.
João Cotrim de Figueiredo mantém-se na corrida apesar de polémicas recentes, incluindo acusações de assédio sexual e declarações sobre eventual apoio a Ventura numa segunda volta. O candidato da Iniciativa Liberal afirmou ter “força redobrada” para continuar, focando a sua campanha em temas como a saúde, área central no debate político após declarações do primeiro-ministro sobre o SNS.





Luís Marques Mendes, consciente da sua posição frágil, intensificou ataques a Cotrim, chamando-lhe “imaturo” durante uma visita a Fátima. Apesar de não esperar “milagres”, Mendes aposta nas últimas 72 horas de campanha para tentar inverter os números desfavoráveis.
Com os percentuais a oscilar entre 19% e 24%, a realização de uma segunda volta é quase certa. O cenário mais provável aponta para um duelo entre Seguro e Ventura, embora Cotrim ainda possa surpreender. A fragmentação atual reflete mudanças profundas no panorama político português, com a esquerda radical, representada por Catarina Martins (5,7%) e António Filipe (5,1%), a manter-se marginalizada nesta corrida.
Hoje, a capacidade de mobilização de cada candidatura e as declarações finais serão determinantes para definir não apenas quem avança para a segunda volta, mas também a dinâmica dessa disputa.
